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As vozes e as cordas são de Assis Almeida e Bruno O. Barros; a programação, os sintetizadores, os teclados e o acordeom, de Leo Airplane. Há também a participação especial de Tiago Araújo entre os vikings de "Tristeza Viking (ou Música do Passado)". A produção é de Leo Airplane.
Chega uma hora que não
dá mais pra ter compreensão
Voltarei para meu lugar...
Te largarei, então
Vez ou outra, não sei bem
quanto custa pra te ter
É mais caro, sei porém,
do que posso oferecer
Vai e leva minha dor
Deixa o meu desamor...
Vai, me tira o pesar
Sem você me chega o ar
Sei parece aquelas músicas
do passado
As que ouvíamos
sentados lado a lado
Não tenho medo de ridículo soar
Desde que você abandone o lar
Vai e leva minha dor
Deixa o meu desamor...
Vai, me tira o pesar
Sem você me chega o ar
Então, já em pé no altar, ele diz baixinho “Me disfarço e faço como quem nunca aturou fortes contratempos na tua ira.” Em seguida olha para a multidão à sua volta e, tomado pela delicadeza da posição onde se encontrava, completa: “Não cabe a mim expressar abertamente o que há no coração.”
Sua mulher, numa tentativa de driblar todo o perigo daquelas palavras que acabara de ouvir, apenas sorri com ternura e diz abertamente “Deixa de esperar o mar de lágrimas passar, vamos legalizar a relação.” E apertando com força a mão do amado, suplica: “Largue seus medos e esqueça, por favor, os nossos erros.” Por fim revela: “Uma vida nova começou.”
Sem se dar conta do óbvio significado da última frase dita pela mulher e cego de raiva pelo caráter melodramático do seu breve e sussurrado discurso, ele, amargo e seco, diz apontando para o próprio peito: “Canto que acredito de verdade que é amor, mas me escondo atrás dessa ferida.” Diante da impassível expressão facial da mulher ao seu lado, ele dá um passo para trás e, virando-se, desabafa: “É tanta gente a orar! E haja flores a adornar minha razão...”
Mascarando o seu desespero através de várias camadas de maquiagem, a mulher segue o marido e abre os braços (como se apontasse para a artificial decoração da igreja) enquanto canta: “Veja! São hortênsias essas flores imortais... diferentes de um amor de sucessos parciais. Largue seus medos e esqueça, por favor, os nossos erros... uma vida nova começou!”
Sem nem olhar para trás, ele rebate: “Não são só medos. Há também muito rancor!” E, como se explicasse para um público confuso, termina: “São tantos erros... me desculpe, acabou.”
Na pele
tem pintado
a sangue tracejos
de um mapa astral
Tais anjos
se esbaldam nas farças
que brilham nos olhos do
bom vedor
São mentiras que de perto
soam sublimes ao amador
(em meio a dor)
Quais falácias de tantas
poderiam sobreviver
sem se render
ao mal?
Pequenas,
suburbanas, morenas, alegres,
(ou tudo ao revés)
Secretam
sua peçonha
em mentes impuras,
mas tão banais
Se esvaem com o vento,
brincam com a sorte
e lhes roubam a paz
(ó pobre rapaz!)
Quais falácias de tantas
poderiam sobreviver
sem se render
ao mal?
Há uma multidão
impedindo minha abstração
Os mundos se compilam
divergindo toda a razão
Procuro um canto sossegado, ideal,
onde eu consiga ter noção do que é natural
Quem sabe um buraco na lua, pra não ouvir alguém dizer que São Jorge não é real
Quem sabe um buraco na lua, pra não ouvir alguém dizer que São Jorge não é real
Já não me importa mais pensar numa vida,
nem nessas falácias de um além
Somos, sabes bem, carne viva
que corta, fere, sangra e sente dor,
a qual não é maior
que a partida, que teu cheiro no meu carro,
que a ferida que abristes em meu peito,
que o penar de estar longe de ti
Não faz sentido levar a vida assim
Chego num bar e todos que ali estão
percebem a tristeza em meu olha
Amigos solidários me pagam
um trago pra beber
e deixam em seus ombros
minha mágoa a escorrer
E vos digo que eu já não existo mais
Sem ela não me sinto tão capaz
de viver e almejar um futuro,
pois agora meu quarto é tão escuro